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“Procura internacional continuará a existir, não só em gamas altas, mas também médias”

Posted by Nauhouse on Junho 3, 2020
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Estava há dois anos de olhos postos em Portugal, à “caça” de oportunidades e a fechar negócios. Estreou-se oficialmente em tempos de pandemia, no passado mês de maio, mas está pronta para “não baixar os braços” e seguir em frente, para dar a volta à crise. A promotora imobiliária de origem francesa, Nexity, voltou ao país para construir casas para todos e já tem vários projetos em marcha no Porto e em Lisboa. Fernando Vasco Costa, diretor geral da empresa em Portugal, defende, que a oferta de habitação nova no país continua a ser escassa para a grande procura, e antecipa que o interesse internacional “continuará a existir não só em gamas altas, mas também médias”.

O responsável não ignora o natural impacto do surto da Covid-19 na economia e negócios, mas considera que o país está na linha da frente da retoma. Na habitação, diz, “continua a haver muita carência de oferta”, e acredita, por isso, que os projetos “continuarão a ter sucesso”. Refere, aliás, “sinais claros de que há uma grande procura que não está satisfeita”, mesmo em tempos de pandemia, e que, perante esta escassez, se torna “difícil baixar preços”.

E, apesar do pipeline de novos projetos residenciais em Portugal ter alguma dimensão, Fernando Vasco Costa acha muito difícil que isso se venha a traduzir num excesso de oferta. “Acho que não há esse risco atualmente”, afirma. Não só por causa da carência evidente, mas também porque a procura internacional continuará muita ativa, quer no segmento alto, mas também médio. O diretor geral da Nexity Portugal deu o exemplo de muitas famílias internacionais “que têm Portugal como destino ideal para virem viver e trabalhar”, para argumentar que existe ainda, por isso, “muitas dinâmicas que têm que ser acolhidas e respondidas pela nossa oferta”.

O plano estratégico da promotora para Portugal passa, entre outras coisas, por criar oferta de construção nova para as famílias portuguesas, e para cumprir esse objetivo a Nexity vai investir, desde já, 68 milhões de euros em três projetos residenciais, com um total de 299 apartamentos. A ideia será começar a construir, já em outubro deste ano, um dos edifícios de Leça da Palmeira (Porto), com 21 pisos e 108 apartamentos, e o edifício no Dafundo (Lisboa), que terá 61 apartamentos. Ambos representam um investimento de 24 milhões de euros. Para o outro edifício que deverá começar a nascer em Leça, no primeiro trimestre de 2021, com 130 apartamentos, a Nexity destinou 20 milhões de euros. A promotora tem ainda outros terrenos e mais planos em vista para uma segunda fase de investimentos, avaliada em 160 milhões.

Dos motivos do regresso a Portugal, até ao planos da Nexity para o futuro, passando pelo diagnóstico do mercado imobiliário e os efeitos da pandemia nos negócios. Fernando Vasco Costa, avalia estas e outras questões em entrevista ao idealista/news que agora reproduzimos na íntegra.

Como é que a Nexity se preparou durante estes dois anos até ao lançamento oficial?

Estes dois anos serviram para começarmos a analisar o mercado. De facto fizemos alguns estudos, perceber qual era a capacidade das famílias, perceber como é que o mercado estava a funcionar. Começámos a analisar oportunidades, também a negociá-las, e a adquiri-las, para depois começarmos o desenvolvimento dos respetivos projetos e licenciamentos. Uma parte importantíssima destes dois anos foi também a construção de uma equipa forte, que está a desenvolver estes projetos e que está a preparar o lançamento comercial dos mesmos. Estamos a apostar numa lógica de longo prazo e temos que ter uma base sólida para a concretização desta estratégia.

Este lançamento no mercado acontece neste contexto de pandemia. É um entrave ou uma oportunidade?

Claro que o choque é grande. Começa por ser um entrave enorme e seria muito enganador dizer o contrário. Mas nós não paramos, queremos realmente transformá-lo numa oportunidade. Estamos com certeza a reagir, a pensar no dia seguinte e a avançar em frente.

Que diagnóstico faz do mercado em termos de preços?

Estamos a registar um ajustamento e uma correção dos valores na habitação de segunda mão. Dada a falta de oferta de habitação nova, a segunda mão estava a ter valores muito inflacionados e por isso agora há uma correção natural. Essa correção já estava a acontecer antes desta pandemia, e agora tem alguma continuidade, que já se esperava também. A oferta continua a ser escassa e por isso é difícil baixar preços quando a oferta é escassa e a procura é grande, e mesmo com a pandemia continua a haver casos de sucesso de lançamento de empreendimentos, e por isso há sinais claros de que há uma grande procura no mercado que não está satisfeita.

A oferta continua a ser escassa e por isso é difícil baixar preços quando a oferta é escassa e a procura é grande

A Nexity quer construir casas para todos. Como esperam mudar o paradigma da habitação em Portugal?

O nosso foco principal, de toda a equipa, tem sido a eficiência. Tanto a eficiência desde que compramos os terrenos, até ao desenvolvimento dos projetos de arquitetura. Somos uma equipa muito presente no desenvolvimento dos projetos com os arquitetos, nas soluções construtivas, de forma a podermos ter, no fim, um produto que seja muito competitivo para as famílias portuguesas, aliás, para a capacidade de aquisição das famílias portuguesas. E esse é o nosso principal foco, é ter algo que é tão eficiente que torna possível ter um valor ajustado como nós falámos. Não queremos dizer acessível, porque de facto dependendo muito das localizações, dos públicos-alvo a que se destina, terão preços diferentes, obviamente. Será o melhor e mais eficiente possível para as localizações que estamos a falar.

Os vossos imóveis serão comprados diretamente por estas famílias portuguesas ou por investidores que possivelmente depois podem utilizar para colocar no mercado de arrendamento?

O nosso foco, além da eficiência, é ter produtos para as famílias portuguesas, esse é o principal foco. Sabemos que vamos contar, com certeza, com investidores, e acolhemo-los muito bem também, porque são um fator importante no mercado. Mas realmente o nosso foco é criar algo muito eficiente para as famílias portuguesas. Claro que por termos preços muito competitivos, também os investidores irão procurar-nos para o mercado de arrendamento, é uma dinâmica natural e importante do mercado que achamos que deve ser mantida. Iremos ter com certeza algumas medidas para limitar o seu peso, mas não vamos deixar de acolhê-los nas vendas.

Há vários projetos residenciais anunciados para breve. Poderemos correr o risco de existir um excesso de oferta?

Eu acho que é muito difícil nós pensarmos que vai haver um excesso de oferta. Acho que o pipeline realmente tem alguma dimensão, mas depois é preciso ver os que se concretizam e os que não se concretizam. Eu acho que não há esse risco atualmente de excesso de oferta, porque há muita carência e também acredito que a procura internacional vai continuar a existir e não só em gamas altas, mas também médias. Sentimos que há famílias também internacionais que têm Portugal como destino ideal para virem viver e trabalhar, e por isso penso que ainda há muitas dinâmicas que têm que ser acolhidas e respondidas pela nossa oferta.

Eu acho que não há esse risco atualmente de excesso de oferta, porque há muita carência e também acredito que a procura internacional vai continuar a existir e não só em gamas altas, mas também médias

Relativamente aos vários projetos na Grande Lisboa e Grande Porto. Já têm uma data prevista para arrancarem?

Estamos a contar começarem as construções por volta de setembro/outubro, a seguir ao verão, tanto do nosso projeto em Leça da Palmeira, o primeiro, como o do Dafundo.

Que características diferenciadoras têm estes projetos?

Os dois são muito diferentes. Em Leça temos uma torre de 21 pisos, que já vem de um loteamento que já tinha essa volumetria aprovada e por isso nós seguimos essa volumetria. É um edifício bastante icónico, mas procurámos também dotá-lo de espaços exteriores, de terraços e de varandas muito generosas, aproveitando não só o espaço dos apartamentos, mas também aproveitar as vistas excepcionais que tem sobre o mar e sobre toda aquela zona. Relativamente ao Dafundo, é um projeto bastante diferente que aproveita muito a morfologia da zona e adapta-se muito bem, com fantásticos terraços. Dadas as características específicas deste projeto, criámos casas realmente muito boas, com terraços muito bons, que depois convivem também no mesmo condomínio com outros espaços que também têm jardins, outros com varandas. Procuramos ter sempre uma forte oferta de espaços exteriores muito qualificados.

Esta eficiência vai-se revelar também em apartamentos compactos, alguns deles, mas com muitas soluções engenhosas e criativas para responder às necessidades das pessoas

Em Leça, como dizia, temos apartamentos que estão muito à medida das pessoas e à medida do que as pessoas conseguem adquirir, e por isso esta eficiência vai-se revelar também em apartamentos compactos, alguns deles, mas com muitas soluções engenhosas e criativas para responder às necessidades das pessoas. Falando aqui especificamente nos apartamentos que temos, por exemplo nos T0+1, mais pequenos, em que um quarto pode ser o quarto de bebé ou de escritórios, pensando aqui numa lógica mais de trabalho em casa, e que podem funcionar muito bem para as famílias que estão a começar a sua vida em comum. Têm aqui uma excelente oferta para se iniciar.

A Nexity tem um pipeline de investimento de mais de 160 milhões. Que projetos serão estes?

Este valor que referimos dos 160 milhões são projetos que já estão identificados e que estão em negociação ou que estão em fase final de aquisição. Já são projetos que estão muito identificados. Os 160 milhões não são o que nos resta, mas o montante que já temos identificado para investir, se tudo correr bem. A nossa aposta continua a ser na habitação e grande parte deste valor será para um projeto de grande escala na cidade de Lisboa e aí pensamos que realmente vai ser muito destinado à classe média. No Dafundo já é um bocadinho mais alta, mas de facto temos muito foco nessa habitação.

Ainda alguns projetos de residências sénior, que temos também o objetivo de implementar em Portugal. A Nexity tem uma participação no maior operador de residências sénior de França, e queremos trazer esse know-how e essa operação para Portugal, é um dos objetivos da empresa, e por isso teremos aqui alguns projetos de residências em Lisboa no Porto, no Algarve também – é uma das localizações que estamos a estudar.

Quais são os desafios do momento?

Reforçámos muito a vigilância, no sentido de irmos analisando dados e perceber o que é que se está a passar à nossa volta, falar com mais pessoas. Nós já mantínhamos uma relação muito forte com consultores, com outros players, muitos até concorrentes, nós falamos muito. Partilhamos situações, discutimos opções. Isso também é um dos fatores muito importantes neste tempo para realmente analisar os dados e tomar decisões. É preciso continuar a tomar decisões. Manter totalmente a dinâmica das equipas, manter os projetos prontos, ter tudo a avançar, obviamente ajustá-los quando é necessário, ou seja, manter os objetivos e ajustamos os objetivos se necessário. Obviamente que é preciso também encarar essas alterações com serenidade, mas manter esta dinâmica é o mais importante porque se baixamos os braços não teremos sucesso de certeza.

Manter esta dinâmica é o mais importante porque se baixamos os braços não teremos sucesso de certeza

Como será a recuperação do imobiliário?

Na habitação vejo que continua a haver carência de oferta e por isso acredito que os projetos vão ter sucesso. Claro que teremos um impacto de mais desemprego, obviamente menos confiança, alguns rendimentos a baixarem por isso terá algum impacto obviamente, principalmente penso eu na velocidade de vendas, mas acredito que os projetos continuarão a ter sucesso, com os preços ajustados, obviamente, e com uma dinâmica certa para isso.

Sobre o arrendamento, penso que de facto há aqui, pontualmente, alguns alojamentos locais que se estão a transformar em arrendamento, como é natural, mas penso que aqui também vai haver uma triagem. Os operadores mais profissionais, que têm um portefólio já bastante importante como estes que apareceram nos últimos anos, acho que vão resistir porque o turismo não vai acabar, o turismo vai retomar rapidamente. Portugal reafirmou-se e está a consolidar cada vez mais o seu nome no panorama turístico mundial. Claro que o turismo a nível mundial também vai ter uma recessão, mas Portugal vai está muito bem posicionado para a retoma e isso é um ponto bastante importante.

in idealista.pt
Escrito por Leonor Santos, luis,@jone em 03/06/2020